Não seja o porquê de alguém

Estou vendo 13 Reasons Why, e senti uma enorme necessidade de relatar algumas coisas que aconteceram, alguns pensamentos que surgiram

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Foto – Pinterest

Acredito que nunca falei sobre esse assunto no blog, eu nasci com lábio leporino, um má formação na face, no meu caso foi coisa simples,  as consequências foram aparacendo na adolescência, dentes muito tortos, nariz com formato fora do ‘comum’, orelha grande… Meus pais sempre conversavam comigo, que aquilo era só um detalhe, que com as cirurgias tudo passaria, falavam que eu era especial por ser ter nascido com um probleminha.  Sempre acreditei neles, não deixei me abalar por isso, afinal, não era nada de mais.  Além disso, eu nunca fui como as outras meninas, não curtia usar maquiagem, não gostava muito de saber sobre os meninos, eu queria era ler blogs, ler mangás, desenhar, andar de skate, usar as roupas que me faziam sentir bem.

Mas para outras pessoas, era sim. Era motivo de piada, de risos, de serem amigas na minha frente, e pelas minhas costas falarem mal, sentirem pena ou acharem que eu nunca teria um sorriso alinhado. Por fora, eu tava bem, nunca me deixei levar. Mas por dentro, lá no fundo, não gostava de ser ”estranha”, passei anos sem sorrir para fotos, sem sorrir para as pessoas,  e em um crise de angústia, de raiva do mundo, apaguei todas minhas fotos dessa fase.

Fui me fechando ao mundo, não conseguia acreditar em ninguém,  ainda hoje sinto dificuldade, se posso confiar ou não.

Aprendi como as pessoas podem ser cruéis, podem machucar, deixar cicatrizes para o resto da vida, mesmo naquela hora parecendo uma brincadeira.

Por isso, e por tantas outras coisas, não consigo entender como há pessoas que conseguem rir, machucar o outro, que acham que tem o direito de ferir alguém, mesmo com uma piada, um comentário.  Não faz sentido se intrometerem no espaço alheio, não respeitarem. É tão simples.

Nunca é uma brincadeira, nunca é só uma piada, NUNCA.  Você não sabe o que a outra pessoa sente, sentiu, passa ou passou. Não importa se é em uma formatura, e ficar rindo dos formandos, uma piada sobre o quão ”estranha” ela seja.

Termino esse texto em prantos, não pelo que passei, mas por saber que eu tive chances de ser uma Hannah, de que na minha volta há pessoas que podem ser uma Hannah, e por saber que há muitas pessoas que são um porque de alguém.

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